Depois de ser rebaixado, BMG demite cúpula

SEGUNDO SINDICATO, 17 EMPREGADOS QUE OCUPAVAM CARGOS EXECUTIVOS NO BANCO DE RICARDO GUIMARÃES FORAM DESLIGADOS; ENTRE ELES, O EX-BANCO RURAL E EX-PRESIDENTE DO ATLÉTICO-MG NÉLIO BRANT

O rebaixamento na classificação de risco já provocou estragos na cúpula do BMG. Menos de 20 dias depois de ver seu rating piorado pela agência internacional Fitch, o banco de Ricardo Guimarães demitiu 17 empregados que ocupavam cargos executivos. A informação é do Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região.

Entre os afastados, está o ex-dirigente do Banco Rural e ex-presidente do Atlético-MG Nélio Brant - Guimarães também dirigiu o time mineiro, e a experiência com o futebol fez do BMG o principal patrocinador de clubes do Brasil: Atlético, Cruzeiro, São Paulo, Santos, Vasco, entre outros, têm a logo do banco mineiro em suas camisas. Além disso, o BMG comprou participação no passe de vários atletas brasileiros.

O rebaixamento do BMG ocorreu sobretudo depois da compra do banco Schahin, em abril do ano passado, por R$ 250 milhões. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ajudou na negociação porque o Schahin, da família , enfrentava problemas financeiros.

Na época do anúncio da transação com o banco dos ricos irmãos Milton e Salim Schahin, o mercado teve dificuldade de entender os verdadeiros motivos do BMG. O próprio banco mineiro precisava levantar capital para sustentar seu enorme crescimento nos últimos anos. Além disso, os Schahin não deram garantias pessoais na operação.

Leia abaixo matéria de Izamara Arcanjo para o jornal Hoje em Dia:

BMG altera cúpula após rebaixamento

Vinte dias depois de ter sua nota de risco (rating) rebaixada pela agência de classificação Fitch, o banco BMG, líder na concessão de crédito consignado entre as instituições financeiras privadas do país, iniciou um processo de reestruturação com alterações na cúpula da instituição. De acordo com o Sindicato dos Bancários de Belo Horizonte e Região, 17 funcionários, que ocupavam cargos executivos e que atuavam na sede do banco, foram desligados na semana passada.

Entre eles está o diretor Comercial do BMG, Nélio Brant, que teve a demissão confirmada pelo vice-presidente do BMG, Márcio Alaor de Araújo. Apesar do desligamento, Brant afirmou que continuará a prestar consultoria ao banco.

Fontes ligadas ao mercado financeiro especulam que poderá haver demissões em escritórios e representações pelo Brasil. Estes cortes estariam ligados às pressões sobre a base de capital do BMG após concluídas as aquisições dos bancos Schahin e GE. A Fitch Ratings rebaixou a nota do banco BMG de BB- para B em moeda estrangeira e de A- para BBB em moeda nacional.

O BMG anunciou a compra do Schahin em abril do ano passado por R$ 250 milhões. O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) intermediou a negociação entre os dois bancos porque o Schahin enfrentava problemas de capital.

O analista da Fitch Robert Stoll, avalia que a compra elevou o volume de ágio em R$ 1,6 bilhão. “O montante de ágio ocorreu principalmente devido à exclusão seletiva efetuada pelo BMG dos ativos enfraquecidos do Schahin, ao mesmo tempo em que o BMG assumiu todo o seu passivo. Este processo de seleção, monitorado pelos reguladores bancários brasileiros, levou o capital do Schahin a ficar R$1,3 bilhão negativo no momento da aquisição”, afirma.

Na avaliação da Fitch, a lucratividade do BMG deverá ficar abaixo da média de seus concorrentes no curto prazo, uma vez que a capacidade de geração interna de capital do banco será limitada, devido ao aumento das despesas administrativas e de captação e à concorrência.

O vice-presidente do BMG, Márcio Alaor de Araújo, garante que, mesmo com o rebaixamento, não houve sequer um pedido de resgate de investidores. “O BMG registrou um crescimento de 35,6% na carteira própria de operações de crédito, fechando 2011 com um saldo de R$ 11,092 bilhões. Já a carteira total de operações de crédito e de arrendamento apresentou um saldo em 31 de dezembro de 2011 de R$ 29,078 bilhões, correspondente a uma expansão de 18,7% em relação ao mesmo período de 2010”, diz Alaor

Ainda segundo fontes do mercado, as demissões podem fazer parte de um processo de readequação que já vislumbra a guerra acirrada que está sendo travada pelo mercado de crédito consignado. O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal reduziram as taxas de juros nas operações de crédito com o objetivo de reforçar a política do governo de pressionar o sistema financeiro a reduzir os juros bancários.

Fonte - http://brasil247.com/pt/247/portfolio/54345/Depois-de-ser-rebaixado-BMG-demite-c%C3%BApula.htm

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